Apneia Ronco

Encare: Ronco é doença!

Pacientes com distúrbios do sono, que roncam e têm apneia podem resgatar a saúde e o bem-estar com o uso da placa intraoral, de fácil adaptação

De um modo geral sua vida parece estar sob controle, você não está doente, a saúde está boa, mas mesmo assim não encontra mais aquela disposição que tinha antes. Passou a ter sonolência durante o dia, a memória lhe escapa e a concentração e o foco se tornaram um constante desafio. Bem-vindo! Se esses e outros sinais fazem parte da sua rotina, a saúde já está comprometida e deve encarar o problema, você ronca e pode estar sofrendo de apneia obstrutiva do sono.

Ansiedade, cansaço, sonolência, alterações de humor, irritabilidade, dores de cabeça e baixo libido são alguns dos sintomas da apneia, uma das doenças mais comuns, que está sempre associada ao ronco. Hoje, cerca de 40% dos homens adultos e 30% das mulheres roncam, e isso se torna mais frequente com o avanço da idade. 60% das pessoas com mais de 55 anos roncam.

Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa ao ponto de, parcialmente, bloquear a passagem de ar. As estruturas musculares passam então a vibrar, produzindo um som, o ronco. Já a apneia se caracteriza pela interrupção da respiração, a pessoa para de respirar. Isso pode ocorrer por 10 segundos ou mais, só que o grande problema é a quantidade de vezes que essas paradas ocorrem durante uma hora de sono. Pode ser de 5, 15, ou até mais de 30 vezes, chegando a 300 paradas em uma só noite.

“O problema é mais sério do que se imagina! Essas obstruções bloqueiam a passagem de ar para os pulmões, geram microdespertamentos, a pessoa desperta mesmo sem lembrar e sono é interrompido. Isso é, todo o repouso é comprometido e é durante o sono que o organismo se restaura para um novo dia”, explica a cirurgiã-dentista Dra. Ângela Munhoz da Rocha, que se especializou no tratamento de distúrbios respiratórios e obstrutivos do sono no Instituto do Sono, em Bauru, São Paulo e há 15 anos ajuda pacientes a se recuperar da doença.

Sintomas

De acordo com a especialista, a apneia é uma doença respiratória, o corpo deixa de receber o oxigênio suficiente para manter as funções vitais durante a vigília, o sono. É uma doença séria que repercute em todo o organismo. “Compromete as funções regenerativas do corpo, prejudica as fases do sono, a produção hormonal e contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas, problemas cardiológicos, respiratórios, pressão alta, arritmias, infarto, AVCs, obesidade, depressão, além de interferir até nos relacionamentos afetivos e interpessoais”, ressalta Dra. Ângela.
Infelizmente, a apneia não regride espontaneamente, e com o passar do tempo ela só piora, podendo até ser fatal. Por isso, precisa ser tratada o quanto antes.

De acordo com os especialistas, esse distúrbio pode ser controlado de diversas maneiras, algumas bem simples e eficazes. “Para o médico do tráfego Rodrigo Lorenzi, 44 anos, depois de sofrer 30 anos com os distúrbios do sono é que conseguiu solução para o seu caso. “Não conseguia dormir, comer, tinha muita ansiedade, vivia indisposto, cansado, sem memória e sem paciência. Mas ninguém conseguia descobrir a causa de tudo isso para um diagnóstico correto. Cheguei a fazer tratamento psiquiátrico e tomar medicação, até descobrir qual era o problema”, comenta o paciente.

Os tratamentos para a apneia passam sempre pelas mudanças de hábitos, perda de peso, evitar o consumo de álcool, fazer atividade física e manter uma boa higiene do sono. Comer levemente à noite, preparar o ambiente com pouca luz e barulho, deitar-se mais cedo, além de outras recomendações.
Existem desde cirurgias, indicadas para casos específicos, o CPAP e o BIPAP, que são equipamentos com máscaras que insuflam ar nos pulmões, geralmente recomendados para casos mais severos, e o Aparelho Intraoral, que é indicado para casos leves e moderados, que correspondem hoje a 75% dos casos clínicos.

Rodrigo, que após fazer o exame de polissonografia teve a comprovação do distúrbio, apneia nível 4, deu início ao tratamento. “Precisei pagar todos meus pecados, me submeti a uma cirurgia, fiquei tentando me adaptar às máscaras, mas sem resultado duradouro. Há um pouco mais de 1 ano uso a placa intraoral e estou 100% melhor, uma conquista!”, assinala Rodrigo, com humor.
Uma apneia considerada leve, a respiração para de 5 a 15 vezes por hora; na moderada, varia de 15 a 30 interrupções; na severa, a pessoa deixa de respirar por períodos curtos, mais de 30 vezes por hora durante uma única noite.

O comerciante Luiz Bruder, 51 anos, também acordava com frequência, vivia irritado, indisposto e com dor nas pernas, até descobrir que esses sintomas eram consequência de noites maldormidas. Depois de uma polissonografia, o paciente teve a indicação do uso da placa intraoral e resolveu seu problema. “Eu e minha esposa tínhamos distúrbios do sono e um acordava o outro com o ronco. Depois que passamos a usar a placa, tudo mudou e estamos muito satisfeitos com o resultado. Temos outro ânimo, outra disposição; foi fantástico!”, festeja Luiz.

Diagnóstico

Já mencionados, os sintomas mais comuns são a fadiga, a dificuldade para acordar ou despertar, sono fragmentado, dores de cabeça e cochilos frequentes. Tudo isso ocorre porque a pessoa não consegue chegar ao sono REM, sono mais profundo, que restaura as energias e dá o descanso ao cerébro. Apneias desencadeiam sérios problemas de saúde, doenças crônicas e até riscos de morte.
Antes de começar qualquer tratamento de distúrbios do sono, a primeira atitude que se deve fazer é a de buscar uma avaliação do médico otorrinolaringologista a fim de detectar possíveis obstruções nasais, desvios e outros fatores que possam serem somados ao problema. Um exame que é necessário é a polissonografia, que atesta a qualidade do sono, oxigenação e batimentos cardíacos. A pessoa dorme durante uma noite com os aparelhos e eletrodos, que monitoram e acompanham a qualidade do sono. “O exame avalia o ronco, detecta a apneia e também a síndrome das pernas inquietas, esclarece Ângela Munhoz.

Tratamento deve obedecer a procedimenos

Há cinco anos portador dos distúrbios do sono, o advogado Paulo César Grande, 48 anos, que inicialmente utilizou o CPAP para resolver o problema, agora se diz totalmente satisfeito com a facilidade do uso da placa intraoral. O paciente relata que resolveu não só as suas noites maldormidas, mas também melhorou o seu relacionamento em casa. “Como não chegava a ter um sono profundo e o relaxamento necessário, acabava roncando alto, o que atrapalhava o sono da minha esposa. Agora com a placa durmo bem, não ronco mais, acordo mais disposto e está tudo normal”, assegura o paciente.
“Utilizando a placa intraoral, a pessoa que tem apneia consegue realizar todas as fases do sono, inclusive a mais profunda, que é importantíssima para o descanso. Além da melhora na qualidade do sono, o paciente passa também a conviver melhor com familiares e amigos”, ressalta Dra. Ângela.

Entenda o ronco e como funciona a placa intraoral

A prótese intraoral avança a mandíbula discretamente. Um pequeno avanço que faz um grande aumento na passagem de ar. Esse avanço se torna gradativo e é regulado para não haver dor muscular. Também ajusta-se a posição da língua.

“A arcada superior e inferior ficam unidas, estimulando a respiração nasal, existe um espaço para a respiração bucal, porém só para eventuais momentos, como a obstrução da respiração do nariz em um caso de gripe por exemplo”, explica Dra. Ângela.

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