Avanços da Medicina

A Internet a Serviço da Mulher

A era digital têm sido grande aliada da mulher na procura de tratamentos pouco invasivos que evitam a mutilação

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Jovens ou maduras, com ou sem filhos, muitas mulheres se deparam com o drama de perder o órgão que representa a feminilidade da mulher. Por ano cerca de 300 mil mulheres no Brasil perdem o útero. Dessas, 200mil por causa de miomas.Estima-se que 70% das mulheres até os 50 anos apresentarão miomas em algum momento de sua vida. Muitas se assustam quando recebem um diagnóstico de miomas, porque imaginam que eles prenunciem a chegada de um tumor maligno. Não há motivo para tal preocupação. Mioma não é câncer e não é perigoso! Mas, dependendo da sua localização, tamanho e quantidade podem ocasionar problemas, incluindo dor e sangramentos intensos. A maioria das mulheres com miomas no útero jamais teve qualquer sintoma. Na maioria das vezes eles são descobertos em exames de rotina. Algumas vezes, o diagnóstico pode ser suspeitado devido ao aumento do tamanho do abdome, que pode levar a mulher a pensar que apenas engordou um pouco ou até que está grávida.

Até pouco tempo o procedimento mais usado para tratar os miomas uterinos era a retirada parcial ou total do útero, o que causava uma serie de transtornos para a mulher. Além do risco da cirurgia e de uma recuperação longa, a auto-estima também era comprometida. Agora os tempos são outros, o perfil da mulher mudou. Elas são economicamente ativas, muitas são as provedoras de seus lares. Elas desempenham múltiplos papeis, trabalham, estudam, são mães e estão antenadas com as novas tecnologias. A internet tem sido verdadeira aliada dessa mulher multifacetada. Detalhista de natureza e ligada nas informações difundidas pela era digital, elas já não aceitam uma única opinião.

A dona de casa Benedita Borges descobriu um mioma no útero há 22 anos, durante a sua segunda gravidez, porém conviveu com ele todos esses anos sem maiores danos. Foi na gravidez do seu filho caçula que tem hoje 16 anos que a situação começou a se agravar. A anemia profunda e sangramento intenso no período menstrual acompanharam a dona de casa por anos. “de cinco anos pra cá além da anemia e das dores terríveis, o mioma começou a crescer. Procurei vários profissionais e todos indicaram a histerectomia. Não conseguia aceitar o fato de perder meu útero. Resolvi pesquisar na internet um tratamento alternativo e encontrei a embolização. Não senti dor nenhuma, a recuperação foi muito rápida. Pouco tempo depois comecei a ter alguns sintomas, feito outra bateria de exames foi diagnosticado outro mioma. Passei por uma segunda embolização em outubro de 2010. “Hoje estou ótima , as fortes cólicas e os sangramentos intensos desapareceram, minha anemia está em níveis normais, o primeiro mioma sumiu, e o segundo diminui dia a dia. Recomendo a embolização, é um tratamento pouco invasivo,eficaz e que preserva o útero que é um órgão de extrema importância para uma mulher”, conclui.

Elas pesquisam tratamentos alternativos, compartilham opiniões com mulheres que enfrentaram os mesmos problemas. Criam comunidades em redes sociais contando suas experiências. O médico Alexander Ramajo Corvello, radiologista intervencionista do Instituto de Radiologia Intervencionista (Inrad), afirma a troca de experiências nas redes sociais é de extrema importância, pois a velocidade com que as informações são trocadas faz com que as mulheres tomem conhecimento de todas as formas disponíveis de tratamento para miomas. “Quando elas chegam ao consultório já tem conhecimento das possíveis formas de tratamento. A medicina de hoje é multidisciplinar, ela disponibiliza técnicas modernas e seguras como alternativas para um tratamento menos invasivo”, afirma Dr. Corvello.

Foi o que aconteceu com a servidora pública Rosane Peçanha, de 41 anos que através de um exame de rotina recebeu diagnóstico de mioma no útero, como era assintomático a prescrição médica foi que houvesse um acompanhamento periódico. “Cinco anos se passaram e sintomas como pressão na bexiga e volume no abdome surgiram. O profissional que me acompanhava disse que somente a histerectomia poderia resolver meu problema. Não pude aceitar, queria uma segunda opinião, apesar de já ter meus filhos não queria perder um órgão tão importante para a feminilidade da mulher. Foi por meio de pesquisa na internet que tomei conhecimento da embolização uterina, pois precisava encontrar tratamentos alternativos que preservassem meu útero”, esclarece Rosane.

A “Embolização Uterina” que vem sendo usada há 11 anos com sucesso tem mostrando resultados positivos na melhora dos sintomas, além de devolver a qualidade de vida às mulheres. O procedimento é capaz de substituir até mesmo a cirurgia de histerectomia (retirada do útero). Depois de ter suas dúvidas esclarecidas e o resultado dos exames em mãos Rosane optou pelo procedimento que foi realizado em fevereiro deste ano. “Hoje me sinto muito bem, a pressão na bexiga e o volume no abdome desapareceram, estou muito feliz, voltei a viver com qualidade e preservei meu útero. Afirma a servidora pública. De acordo com Dr. Corvello, controlar os sintomas e o bem-estar são benefícios imediatos da embolização, a técnica é segura e eficaz, pois trata o problema sem a necessidade de retirar o útero. “O procedimento consiste na obstrução do fluxo sanguíneo das artérias que nutrem o útero. A técnica não interfere nas funções normais do órgão, que passa a ser nutrido por circulações colaterais que mantêm sua vitalidade”, explica.

Dr. Corvello alerta que para dar inicio ao tratamento de miomas, é necessário que a paciente tenha sintomas que interfiram em sua qualidade de vida. “Os miomas assintomáticos geralmente não requerem qualquer tratamento, devem apenas ser acompanhados clinicamente.

Entenda como funciona a embolização uterina

Descrita pela primeira vez em 1995 por um ginecologista francês, a embolização é realizada por especialistas em Radiologia Intervencionista. A embolização do mioma do útero é uma técnica não-cirúrgica que dura em média uma hora. O procedimento é minimamente invasivo e não causa maiores agressões ao organismo, pois não precisa de pontos. Requer somente uma pequena incisão na pele feita com anestesia local. Após injetar um anestésico, o médico faz uma incisão de aproximadamente 2 milímetros na pele da virilha, por onde introduz um cateter na artéria que passa por debaixo da pele. Este cateter é direcionado por dentro das artérias que se visualizam com a utilização de um equipamento computadorizado de raios “X” que permite ao especialista enxergar através dos tecidos. Assim, o cateter é conduzido pelas artérias até alcançar as artérias uterinas que levam sangue para o útero.

Nesta posição são injetadas partículas plásticas por dentro do cateter até entupir estas artérias. Desta forma, o sangue não nutre mais os miomas, que param de crescer. Muitos até somem. Quando o procedimento termina, simplesmente se retira o cateter e comprime-se o furinho na virilha com a mão. Não é necessário dar pontos e, portanto, o procedimento não deixa qualquer cicatriz. A embolização uterina geralmente demanda um único dia de hospitalização ou, inclusive, pode até ser realizada de forma ambulatorial. A recuperação é muito rápida e possibilita que as mulheres retornem para as suas atividades em apenas três ou quatro dias após a cirurgia.

A técnica é realizada por um radiologista intervencionista, que monitora a paciente durante todo o tempo usando modernos equipamentos de alta resolução que permitem uma excelente visualização das imagens obtidas e grande segurança.  A técnica de embolização é utilizada desde a década de 70 para diminuir o sangramento incontrolável no pós-parto, tratamento de tumores malignos (câncer), aneurismas e em hemorragias nas mais diversas partes. A embolização também é utilizada em casos de tumor benigno ou maligno no rim ou fígado, tratamentos de aneurismas do cérebro e das vísceras e tratamento de más formações das artérias e das veias.

Os resultados clínicos da embolização já foram descritos em inúmeros artigos científicos publicados na literatura médica ao longo dos últimos cinco anos e podem ser resumidos da seguinte maneira: nove de cada 10 mulheres que tinham sangramento intenso voltam a ter menstruações normais; nove de cada 10 mulheres que tinham dor provocada por miomas relatam desaparecimento do sintoma; O tamanho do útero e dos miomas regride em até 50% três meses após a embolização e em até 90% um ano após; Os efeitos provocados pela embolização são permanentes, o que raramente torna necessário algum procedimento terapêutico adicional.

Principais sintomas de miomas no útero

O sintoma mais freqüente é a alteração menstrual, com aumento dos dias de menstruação e da quantidade de sangramento. Podem ocorrer também sangramentos fora do período menstrual, às vezes com coágulos. Essas alterações podem levar à anemia. Esse aumento do período menstrual pode acompanhar-se de dor, que decorre de um maior acúmulo de sangue no útero, provocando distensão dolorosa e maior contração da musculatura para eliminar esse conteúdo.

À medida que o útero cresce, começa a comprimir estruturas e órgãos próximos, podendo ocasionar dor, inclusive durante as relações sexuais. Pode ocorrer compressão da artéria que nutre o mioma, o que faz com que ele sofra degeneração e suas células morram o que se acompanha de dor. A compressão da bexiga leva à redução da capacidade de armazenar urina, levando a mulher a urinar com maior freqüência. Outro sintoma decorrente de compressão é a constipação intestinal (prisão de ventre), já que o útero pode comprimir o reto, dificultando a passagem das fezes. Algumas mulheres apresentam ainda dificuldade de engravidar ou de manter uma gestação.

As vantagens da embolização com relação à cirurgia:
  • É um procedimento realizado com anestesia local.
  • Não deixa cicatriz ou seqüela externa.
  • Pode ser feito em regime ambulatorial ou, no máximo, necessita de um único dia de internação.
  • A recuperação é muito rápida, permitindo que as pacientes retornem às suas atividades habituais apenas de três a quatro dias após o procedimento.
  • É altamente eficaz para controlar os sintomas provocados pelos miomas.
  • Trata o útero de forma universal, isto é, trata todos os miomas ao mesmo tempo.
  • Os efeitos terapêuticos são permanentes, o que raramente torna necessário um procedimento adicional.
  • Preserva o útero e a possibilidade de fertilidade.
  • Permite a terapia de reposição hormonal, se necessária
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