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Vacinação contra o HPV e os detalhes sobre a vacina

Saiba mais sobre uma das DSTs mais transmissíveis (e pouco conhecidas) da atualidade e como fazer para se proteger

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Já bastante difundida desde o ano passado, e aprovada pela rede pública no último mês, a campanha sobre vacinação do HPV (Papiloma Vírus Humano), que acaba essa semana, visa trazer o combate a uma das DSTs mais transmissíveis (e pouco conhecidas) da atualidade e a principal causa do câncer de colo de útero, vagina e vulva.

De acordo com Jaime Rocha, infectologista do Laboratório Frischmann Aisengart, a maioria das pessoas adquire o HPV nos primeiros três anos em que passa a ter relações sexuais. “Estima-se que mais 70% dos homens e mulheres sexualmente ativos entrem em contato com um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. No caso das mulheres, 46% entram em contato com o vírus nos dois primeiros anos de vida sexual ativa. Já 60% dos homens entram em contato nos três primeiros anos”, sinaliza.

Por conta disso, o recomendável é vacinar os adolescentes antes mesmo do início da atividade sexual. “Embora seja indicada para a faixa etária que vai dos 9 aos 26 anos, a vacina tem excelente eficácia em pessoas com mais idade”, explica Rocha. Resultados dos estudos clínicos demonstraram eficácia de 99% para câncer de colo de útero, 100% de proteção para lesões de alto grau de vagina e vulva e 99% para lesões genitais externas. Embora não substitua outros métodos de prevenção nem permita o abandono do uso de preservativos, a vacina é mais uma arma contra a doença, já que se trata de um vírus altamente contagioso.

Os homens também são público-alvo para a vacinação, já que também está relacionado às doenças que acometem os homens, como as verrugas genitais, câncer de ânus, câncer de laringe e câncer de pênis. “Portanto, os homens também devem se preocupar com a prevenção”. A vacina indicada para os homens é a quadrivalente, que age contra os tipos 6, 11, 16 e 18.

As vacinas contra o HPV são administradas em três doses. A primeira é dada na data escolhida, a segunda com intervalo de 30 a 60 dias (dependendo da vacina utilizada – bivalente ou quadrivalente) e a terceira com 6 meses de intervalo da primeira dose. Este, segundo o médico, é o prazo recomendável ideal entre as aplicações das doses.

Segundo o médico, o contato sexual é a maneira mais comum de contágio, incluindo o sexo oral e as chamadas “preliminares”. Isso porque somente o simples atrito da mão, boca ou genitais com a mucosa infectada já é suficiente para contaminação pelo vírus. Além da vacinação, por ser uma doença silenciosa, que na maioria das vezes não apresenta sintomas, é muito importante se precaver de todas as formas e consultar regularmente um especialista para realizar exames periodicamente.

 

Como reduzir o risco de contágio pelo HPV genital 

  • Reduzir o número de parceiros sexuais – quanto maior o número de parceiros, maior o risco de contrair e/ou transmitir qualquer DST;
  • O uso do preservativo é imprescindível mas, no caso do HPV, não é suficiente, pois o vírus pode estar alojado também em partes da área genital que estão fora do alcance do preservativo;
  • Se houver suspeita de que o parceiro sexual tenha qualquer DST é altamente recomendável consultar o médico. Até que isto seja feito, também é recomendável abster-se das relações sexuais com este parceiro, até que o tratamento seja realizado, se for o caso;
  • Não compartilhar objetos de uso íntimo com outras pessoas e fazer higiene de objetos de uso comum (como toalha e vaso sanitário);
  • Vacinar-se antes do início da vida sexual. A idade recomendada é dos 9 aos 26 anos.

 

HPV na laringe

Rocha lembra que o HPV também pode infectar a laringe. O médico explica que o HPV pode ser dividido em dois grupos: o de alto risco (principalmente os tipos 16 e 18) e o de baixo risco para neoplasia (principalmente os tipos 6 e 11). A papilomatose laríngea (PL) é uma doença causada pelos vírus de baixo risco que acomete pregas vocais, epiglote e pregas vestibulares, mas pode atingir toda a laringe. “Em casos extremos ocasiona quadros de insuficiência respiratória aguda”, afirma.

Nos casos de infecções na laringe em crianças, Rocha relata que as pesquisas feitas até o momento têm mostrado que a contaminação é vertical, ocorrendo durante o parto. Já em adultos, a indicação é que a transmissão se dá por meio de sexo oral sem preservativo. Segundo o médico, em crianças os sintomas incluem rouquidão, que pode evoluir para falta de ar, chegando a quadros dramáticos de desconforto respiratório. Já em adultos e adolescentes as lesões são menos numerosas, focais e menos recorrentes, porém com maior potencial de malignização.

De acordo com Rocha, o diagnóstico da doença é feito por meio da laringoscopia, exame em que o médico examina de forma direta toda a cavidade oral, epiglote e laringe do paciente. “Mas é sempre bom lembrar que, aos primeiros sinais da doença, é fundamental que se procure um médico para que ele possa indicar o melhor tratamento para cada caso. Somente o médico deverá orientar o paciente em relação aos procedimentos adequados e ao uso de remédios”, reforça.

O especialista revela que, devido ao conhecimento ainda limitado da doença, não existe um consenso sobre a forma de tratamento. “A opção cirúrgica, com remoção das lesões, não oferece resultados sempre eficazes, e as lesões podem voltar em pouco tempo”, diz.

Na transmissão pelo sexo oral, Rocha explica que a forma de prevenção da doença é o uso de preservativos durante o ato sexual. Na transmissão vertical, o ideal é que a mãe faça o tratamento do vírus antes de engravidar, tendo em vista que ainda não existem comprovações de que a cesariana possa evitar a contaminação. Mas o especialista lembra que a prevenção também deve ser feita com a vacina contra o HPV.

 

Serviço: Laboratório Frischmann Aisengart – www.labfa.com.br

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