Vida sexual ativa e saudável: como obter?
Bom relacionamento sexual é vital para elo afetivo entre o casal

Sexo é um dos fatores que medem o nível de qualidade de vida, segundo a Organização Mundial de Saúde. Entre os cinco fatores indicadores de uma sexualidade saudável, a OMS aponta “liberdade para tratar o assunto com o parceiro ou socialmente”.
Orientar casais a se comunicarem e, assim, se encontrarem sexual e afetivamente, é o trabalho da psicóloga Deuza Avellar. Ela conta que é comum receber pacientes, tanto mulheres quanto homens, com queixas de esfriamento da vida sexual: “É preciso saber mais a respeito das diferenças entre homens e mulheres, como cada um vê a atividade sexual e quais as expectativas individuais”.
Segundo ela, como não existe relacionamento sem problemas, deve-se pensar que eles existem para serem resolvidos, até se antecipando: “Ou seja, buscando ajuda preventiva, antes que a relação esteja comprometida”. A especialista afirma que a psicoterapia trata conflitos, traumas e anseios individuais, e os desencontros no relacionamento causados, inclusive, pela desarmonia sexual. O que, muitas vezes, acontece porque o casal ou um dos parceiros não reconhece essa desarmonia como resultado de uma disfunção.
Além de especialista em psicologia clínica, Deuza Avellar é terapeuta certificada em EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) pelo EMDR Institute, dos Estados Unidos. Trata-se de um método criado pela psicóloga norte-americana Francine Shapiro para tratamento do transtorno do estresse pós-traumático, entre outros. “É a cura das experiências traumáticas através da estimulação bilateral dos hemisférios cerebrais”, acrescenta a Dra. Deuza.
Tratando disfunções sexuais com psicoterapia
“Não saber encarar certas intimidades com meu marido, por falsas crenças ou ideias distorcidas que me faziam sentir culpa, e falta de libido foram dois dos motivos que me levaram à terapia de casal”, revela a dona de casa Helena*, de 47 anos. Ela sofria com bloqueios emocionais que não lhe permitiam usufruir a sexualidade de forma plena. O resultado era a insatisfação sexual tanto dela quanto do marido. “Hoje, encaro o sexo como algo natural, entendo melhor o funcionamento do homem, sem cobrar, culpar ou acusar meu marido. Sinto-me mais completa física e emocionalmente e ambos aprendemos a ter mais afeto e companheirismo”.
O marido de Helena, o agropecuarista Roberto*, de 44 anos, incentivou a esposa a buscar ajuda porque estava preocupado com a falta de libido dela, mas também com uma disfunção sexual própria: a ejaculação precoce. “Nossa frequência sexual era muito baixa, eu não podia sequer tocar minha mulher”, conta. Depois de algumas sessões de psicoterapia, o casal entrou em sintonia. “Descobri que não era problema de ejaculação precoce e sim de falta de sintonia. Somos casados há mais de 20 anos, mas considero estar vivendo pós-tratamento a lua-de-mel que nunca tive”.
A Dra. Deuza Avellar afirma que discordâncias sobre os papeis de cada um na relação levam a conflitos que causam não somente a perda da identidade e da união sexual, como dificuldade afetiva e afastamento entre o casal.
Segundo ela, muitas vezes, os problemas de sexualidade são resultado de experiências mal sucedidas em relacionamentos anteriores, traumas ocorridos na infância ou qualquer outra fase da vida, crenças irracionais e falta de entendimento do plano de Deus para a humanidade e a sexualidade do ser humano, ou ainda ansiedade de desempenho. “Nos meus quase 30 anos de prática clínica, o EMDR tem surpreendido quanto à efetividade dos resultados e brevidade do processo psicoterapêutico, que pode ser realizado individualmente ou com o casal”, diz.
A especialista esclarece que o tratamento tem mais sucesso quando o casal busca ajuda. O conhecimento do contexto do relacionamento é importante para auxiliar na aproximação física, emocional e sexual entre os parceiros, sem cobrança pelo desempenho sexual.
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