Bem Estar

Mais satisfação

É hora de avaliar, repensar e planejar sua carreira de acordo com sua real felicidade

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A satisfação no trabalho não é só um desejo: é uma necessidade para nos sentirmos bem, felizes e com saúde. Afinal, passamos a maior parte da vida desempenhando ou nos preparando e estudando para as funções profissionais.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Great Place to Work com funcionários das 100 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, salário é importante, mas não primordial. Ambiente agradável e valorização pessoal é que são os principais motivadores da satisfação no ambiente de trabalho. A maioria dos funcionários pesquisados afirmou sentir orgulho do que faz e estar feliz com as atividades que desempenha.Para Sônia Gurgel, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos – seccional Paraná, essa satisfação é sentida mais fortemente nas empresas que possuem sistemas de gestão que prezam e valorizam os empregados, como as multinacionais. “Mas empresas nacionais já perceberam a importância de dar uma maior atenção e promover programas de qualidade de vida para os seus funcionários”, afirma. Para Sônia, num futuro próximo as empresas que ainda não valorizam seus colaboradores vão perceber a importância de ações nesse sentido. “As melhores empresas serão aquelas que souberem administrar com inteligência e equilibrar as decisões de negócios com a humanização e valorização dos seus empregados”.

 

Mudar para melhor

O executivo português João Marques trabalhava com projetos estratégicos de valorização pessoal e empresarial para grandes empresas. Em 2006, fechou uma parceria com a Base Brasil Consultoria para reduzir os gastos de saúde da empresa, implantando programas de incentivo,  prevenção, buscando a melhora nos hábitos e no estilo de vida dos colaboradores. Ele não sabia, mas esse trabalho acabaria influenciando em sua própria vida. “Como só sou capaz de vender algo que conheço bem, em que acredite e que agregue valor aos clientes e usuários, comecei a estudar e a praticar a melhora que planejávamos implantar e mudei a minha vida”, conta ele.

Em nome da qualidade de vida, João trocou de cidade, passou a dedicar mais tempo à família e aprendeu que os resultados não precisam aparecer da noite para o dia. “Troquei um alto salário, que me consumia muitas horas de trabalho, por uma vida melhor, com mais saúde e mais perto da minha família. Foi um bom negócio”, afirma. O empresário também passou a se exercitar mais, beber mais água, comer menos e mais vezes ao dia, eliminou do cardápio a farinha branca, o leite e reduziu o consumo de açúcar e carne. “Sou exemplo para a minha filha, minha mulher, meus pais, amigos e clientes. Minha maior realização é fazer parte da mudança de estilo de vida de tantas pessoas”.

O consultor e headhunter Bernt Entschev, com mais de 20 anos de experiência, enfatiza que os funcionários são os maiores ativos de uma empresa. “Os gastos com a equipe são altos, incluem treinamento, capacitação e motivação. Por isso, é preciso preserva-los na empresa”. Segundo Entschev, o funcionário motivado e valorizado produz mais e ajuda a empresa a crescer. Ele conta que muitos profissionais e executivos que o procuram estão em busca de novas propostas de emprego e novos projetos porque estão insatisfeitos com a postura da organização atual e não se sentem valorizados como deveriam.

“Alguns querem arrumar outro trabalho, mas não têm coragem de deixar os seus salários. São na maioria pessoas insatisfeitas e infelizes, que gostariam de fazer outra coisa mas não fazem porque viraram escravas do dinheiro. Elas precisam se manter naquele emprego para manter o padrão de vida que levam. Quanto mais gastam, mais precisam ganhar. Por isso, em algum momento é preciso parar para pensar e avaliar a vida pessoal e profissional”, declara. Em suas palestras e consultorias, Bernt Enstchev costuma mencionar uma frase que considera muito importante: “O homem rico é aquele que não tem muitas necessidades”.

Em relação às organizações, o consultor faz um alerta: se o ambiente não vê o seu funcionário como um grande ativo, ele vai trabalhar insatisfeito e sair na primeira oportunidade. O problema é que, enquanto não arrumar outra coisa, vai contaminar outras pessoas com seu mau humor e insatisfação.

 

É preciso coragem

Bernt Entschev pode falar com segurança sobre a mudança na carreira: o exemplo está em sua própria família. O filho de Bernt, Bernardo, formou-se em Medicina. Mas o Dr. Bernardo Entschev não estava satisfeito. “Construí uma carreira promissora na medicina, mas sempre sentia que faltava algo. Sempre me questionava sobre a possibilidade de deixar aquela carreira e seguir o que o meu coração e aptidão me apontavam: ser um consultor de carreiras como meu pai”, conta.

A opinião da família foi que afastou Bernardo por algum tempo, pois todos o incentivavam a ser médico. “Iniciei simultaneamente as faculdades de medicina e administração, mas deixei o segundo por sugestão dos meus pais. Amo a medicina, prosperava como otorrinolaringologista, mas sentia o desejo de trabalhar na área empresarial”.

Como médico, Bernardo sentia que não tinha mais pra onde crescer. Ganhava muito bem, mas não havia mais desafios. “Foi aí que decidi encarar minha outra aptidão. Conversei com meu pai e ele me apoiou. Larguei uma carreira sólida na medicina para me tornar um headhunter e hoje estou realizado, pois tenho desafios constantes a superar. E posso ajudar profissionais que enfrentam as mesmas dúvidas que eu enfrentei”.

 

Planejar a felicidade

Se você não está satisfeito com seu trabalho, vive tenso e reclama de tudo e de todos, talvez seja o momento de repensar. Você gosta do local onde trabalha? Então tente melhorar o ambiente de trabalho e as relações com as pessoas. Seja bem humorado, demonstre boa vontade.

Agora, se deseja mudar, atenção. Mudar exige uma tomada de decisão madura. A pessoa insatisfeita precisa planejar seus próximos passos, saber onde está e para onde quer ir. A busca pela satisfação pessoal pode implicar numa mudança radical, por isso, é preciso coragem, mas sem deixar de manter os pés no chão: a segurança da família e a manutenção no padrão de vida devem ser consideradas.
Confira dicas preciosas para enfrentar os receios e conseguiu mudar:

  • Respeite o seu próprio ritmo
  • Coloque prazer em tudo o que se faz
  • Tenha disposição e bom senso
  • Aprenda que, muitas vezes, são as coisas simples que apresentam os melhores resultados
  • Respire e relaxe
  • Beba mais água, coma mais devagar: cuide da sua saúde
  • Divirta-se e sorria mais
  • Procure profissionais para orientá-lo, como psicólogos, coaching e boas empresas de assessoria

 

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Para as empresas:

  • Valorizar
  • Reconhecer
  • Incentivar
  • Respeitar

 

Para as pessoas:

  • Compartilhar
  • Ajudar
  • Respeitar
  • Ouvir