Bem Estar

Humanização no atendimento de pacientes em UTI

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Em 2001, uma técnica diferenciada no atendimento psicológico de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem condições de verbalizar, porém conscientes, passou a oferecer a chance dessas pessoas expressarem seus sentimentos e necessidades.

Sob a coordenação da psicóloga Jacqueline Queirolo, nascia o “painel das emoções”, que mais tarde foi aprimorado com palavras prontas, números e o alfabeto. O painel, impresso em papel sulfite, permitia que o paciente “sem voz” apontasse sua condição, formando frases e expressando desejos. Independente do motivo de não poder verbalizar (ventilação mecânica, acidente vascular cerebral, necessidade do oxigênio, dentre outros), saber “ouvir” e atender suas angústias significaram melhoras no estado emocional, desses pacientes, consequentemente em sua recuperação.

Ao longo desses 10 anos, foram registradas as palavras mais comuns entre os enfermos, somando mais de 1.100 atendimentos. Esse respaldo possibilitou incrementar a ferramenta de trabalho. Em outubro de 2010, a técnica ganhou um tabuleiro personalizado e batizado como Conversatório – Conversa de Consultório Ambulante.

Alegre e semelhante a um jogo, o Conversatório passou a oferecer “prazer” durante as terapias, facilitando a comunicação com pacientes e familiares, eliminando fantasias, diminuindo distâncias e proporcionando mais tranquilidade durante a internação hospitalar.

 

Humanização

Para a direção da Associação Evangélica Beneficente de Londrina (AEBEL), mantenedora do HE, a implantação de metodologias e procedimentos que acolhem e humanizam o atendimento é foco para várias outras ações que têm sido aplicadas no Evangélico de Londrina, a exemplo da UTI Neonatal e Pediátrica, com o uso das redes para os bebês dormirem mais aconchegados (nas incubadoras), a técnica do banho de balde para relaxamento e melhora no padrão respiratório dos bebês, o método Canguru, para mães e pais ajudarem no contato pele a pele com o recém-nascido, contribuindo para regular a temperatura, os batimentos cardíacos, a respiração e o vínculo afetivo, dentre outros benefícios. Ou ainda a instalação da banheira para parto Leboyer na Maternidade, com incentivo ao parto natural, na água. “Temos nos mobilizado para oferecer soluções que auxiliem na recuperação dos pacientes tanto no aspecto orgânico quanto emocional. Para isso, buscamos integrar médicos e demais profissionais da saúde nesta visão, proporcionando mais qualidade e eficácia nos serviços”, diz Sandra Capelo, gestora de atendimento em saúde.

Para a psicóloga, a empatia é fundamental no desenvolvimento de ações solidárias, pois ao nos colocarmos no lugar do outro, permitimos criar meios de acolher e ajudar numa determinada situação. “Lembro-me quando iniciamos a técnica, timidamente, em 2001. O que mais pesou para mim foi pensar que se fosse eu, ou algum familiar, poderia falar mesmo nas condições daqueles pacientes sem verbalização. Minha ação foi imediata e acredito estar proporcionando mais qualidade no tratamento de muitas pessoas”, conclui Dra. Jacqueline.

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