Eu preciso de terapia?
O EMDR permite tirar o bloqueio causado por imagens, crenças e sensações negativas, fazendo aflorar a saúde da mente, livre de traumas

O choro era a minha defesa e qualquer situação de confronto era motivo para eu ficar em prantos”, conta a profissional liberal Silvane Previdi Pereira, de 50 anos, que teve sua qualidade de vida ameaçada por sentimentos que ela própria não sabia explicar. Embora tivesse enfrentado problemas familiares num passado recente, Silvane não sabia o porquê do choro em situações do dia a dia. “Cheguei a chorar no banco porque não fechei um seguro com meu gerente”, conta. A falta de controle emocional e o sentimento de perder a sequência de uma discussão qualquer eram, segundo ela, os fatores desencadeantes das frequentes crises de choro. “Felizmente, depois de fazer diversas sessões de EMDR, consegui dominar o problema, encontrar respostas para a minha fragilidade e, hoje, sinto-me fortalecida emocionalmente”, acentua. Durante a terapia, Silvane descobriu, por exemplo, que o fato de ser a primeira filha de sete irmãos e ter perdido gradativamente a atenção que almejava dos pais, pode ter gerado reações adversas na vida adulta.
Muitas pessoas que passaram por situações como esta, seja uma carência afetiva, um trauma ou problemas psicológicos, podem ter dificuldade em superar lembranças e emoções. “Quando um trauma ocorre, ele passa a interferir em nossas vidas de forma direta ou indireta através de nossos comportamentos e atitudes. Na maioria das vezes, limita e empobrece nossos relacionamentos e nossa qualidade de vida”, explica a psicóloga Deuza Avellar, especialista em psicologia clínica e terapeuta certificada em EMDR pelo EMDR Institute, dos Estados Unidos.
De acordo com a psicóloga, todo este conteúdo traumático pode ficar bloqueado no sistema nervoso, prejudicando e até impedindo a pessoa de vivenciar, interpretar e responder as demandas da vida de maneira funcional. “Os sintomas típicos do Transtorno do Estresse Pós-traumático (TEPT) são episódios de repetidas revivências do trauma, sob a forma de memórias intrusas (flashbacks) ou sonhos, dificuldades em responder aos estímulos da vida, afastamento de outras pessoas e situações que possam de alguma forma recordar o trauma”, alerta a especialista. O cérebro tem um sistema de processamento de informação que mantém o nosso equilíbrio, mas quando há um trauma, o sistema se trava e pode causar uma série de sintomas típicos do estresse pós-traumático.
O EMDR pode tratar ansiedade e depressão, medos e fobias, Síndrome do Pânico, transtornos do sono, transtornos decorrentes de abusos (sequestro, acidentes, luto), baixa autoestima, distúrbios da sexualidade, dependência química, obesidade, além de instalar recursos positivos e melhorar o desempenho e potencial criativo.
O EMDR também pode comprovar sua eficácia em grandes empresas, onde qualquer funcionário está sujeito a Síndrome de Burnout (sindrome do esgotamento profissional). Pacientes encontram no EMDR a solução para um estresse que os deixa fragilizados diante da vida. Acontece de muitos terem que parar de trabalhar devido às consequências que esse trauma provoca. Porém, as sessões de EMDR disponibilizam as ferramentas para enfrentar as dificuldades do dia a dia, dando mais segurança e confiança e ensinando cada um a lidar com suas limitações e potenciais; enfim, faz com que a pessoa se conheça melhor.
O bancário Saulo Adelino Navarro, 40 anos, carregou um trauma por mais de 20 anos devido um abuso sexual cometido por uma namorada na adolescência. Sentindo-se ferido na sua masculinidade e autoestima, o bancário criou um bloqueio nos seus relacionamentos com mulheres, o que chegou a ocasionar o fim de um noivado. “Durante todos estes anos, as lembranças do passado interferiram na minha vida afetiva e sexual, a ponto de eu ter medo de me relacionar e ter uma vida normal”, conta. Foi revelando o trauma para sua então noiva (atual esposa) que Saulo procurou ajuda. Depois de seis meses de terapia e algumas sessões de EMDR, o paciente conseguiu se libertar das feridas da mente. “Hoje me sinto mais forte, seguro, capaz, um homem que sabe se relacionar com uma mulher, tanto que estou casado há três anos e sou pai há 40 dias”, comemora.
EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing (Dessensibilização e Reprocessamento através dos Movimentos Oculares) é uma terapia especialmente útil para transformação das lembranças traumáticas. Com o EMDR, o cérebro recebe a ajuda necessária para processar o fato e arquivá-lo. Perde-se, assim, a carga negativa associada à situação e, muitas vezes, recuperam-se as lembranças positivas vinculadas ao fato e que antes não se podia perceber. “Muitas pessoas têm a sensação de que a lembrança agora está realmente no passado e que já não as incomoda mais quando se recordam dela”, afirma Dra. Deuza Avellar.
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