Bem Estar

Dirija sem medo

Terapia especializada em trânsito recupera a autonomia de quem teme o volante

A comerciante Cláudia Andrade Silva, 31 anos, tirou a carteira de habilitação sem problemas. Porém, na primeira saída bateu no portão de casa. Pressionada pela “suposta” incompetência, adquiriu verdadeiro pânico e ficou dois anos sem dirigir. “Até ganhei um carro zero, mas para mim ele era apenas um troféu do meu fracasso”, conta. Foi uma terapia especializada que mudou a vida dela. “Em dois meses de tratamento, recuperei a confiança”, comemora.

Pessoas que têm medo de dirigir geralmente são perfeccionistas, não admitem errar nem receber críticas, gostam de planejar o que vão fazer e não toleram imprevistos. A boa notícia é que o tratamento psicoterápico especialmente voltado para fobias no trânsito tem demonstrado que é possível reverter a situação.

No Brasil, 6% dos motoristas habilitados têm medo de dirigir. A causa nem sempre é decorrente de acidentes, mas do tipo de educação, de aspectos culturais e do ambiente. As mulheres são as mais atingidas: cerca de 80% entre 30 e 60 anos apresentam a insegurança. “Uma somatória de fatores causa os pensamentos de fracasso”, acentua a psicóloga especializada em psicologia do trânsito Salete Coelho Martins.

 

Diferencial

“Não se tira medo de dirigir com aulas de reciclagem na autoescola porque o veículo da empresa, com os letreiros de aprendizagem, é um reforçador para seu medo; é como se ali fosse permitido errar, e o comando duplo de freio e embreagem que fica sob  a supervisão do instrutor é a justificativa que muitas clientes encontram para afirmar que não foram capazes de dirigirem sozinhas”, adverte a psicóloga. “Realizo técnicas da terapia cognitiva e comportamental acompanhando o cliente no seu próprio veículo e fazendo os percursos mais comuns, como ir para o trabalho, buscar os filhos na escola, ir ao supermercado, ao shopping; fazemos tudo isso juntos”, acentua. A pessoa aprende a lidar com o que a apavora de forma gradativa. Conforme o caso, o trabalho pode incluir terapia de grupo. “Nosso objetivo principal é devolver ao indivíduo autonomia, confiança, independência, liberdade e, principalmente, resgatar sua autoestima”, finaliza Salete.

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