A cura das feridas emocionais
Técnica inovadora em psicoterapia faz com que as pessoas que sofrem com traumas e eventos negativos possam recuperar rapidamente o prazer de viver

“Durante anos vivi um quadro grave de depressão que prejudicava minha qualidade de vida e somente com as sessões de EMDR consegui descobrir que tudo estava relacionado a um trauma do passado”, revela o administrador de empresa Francisco*, que passou a lembrar de detalhes deste trauma e hoje consegue encarar de outra forma o problema. “Sofria de fobia, estresse e ansiedade, e hoje consigo conviver com algumas lembranças de forma mais positiva, sinto-me mais confortável e otimista”, comemora.
Casos como o de Francisco vêm sendo alvo de estudos recentes realizados com o auxílio de tomografias de alta precisão, revelando que uma pessoa com forte experiência traumática apresenta alteração no funcionamento cerebral. Isso significa que, quando o cérebro é submetido a um estresse crônico, a pessoa perde em qualidade de vida e bem-estar. É o momento de procurar ajuda.
O EMDR – sigla em inglês para dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares, é uma nova forma de psicoterapia, desenvolvida nos Estados Unidos no final dos anos 1980, que permite a estimulação dos hemisférios cerebrais, onde as lembranças dolorosas são armazenadas.
Como funciona
A aplicação da técnica é feita a partir de um problema específico. O paciente traz um tema perturbador, que pode ser a lembrança de um evento traumático ou um pensamento negativo que deseja esquecer. Enquanto mantém em mente uma cena, um sentimento, um som, um pensamento e ainda as crenças negativas relacionadas ao problema, o terapeuta conduz seu cérebro para a cura das feridas emocionais. O processamento acelerado de informações propiciado pelo EMDR é feito de forma particular, ou seja, cada paciente irá processar suas associações baseado em sua experiência pessoal e em seus valores. “Os estímulos bilaterais feitos pelo terapeuta são repetidos até que a lembrança seja menos perturbadora e possa ser associada a pensamentos e crenças pessoais mais positivas”, explica a psicóloga Vanessa Augusta Luparia, especialista na técnica.
A terapia não é um tipo de hipnose, portanto, a pessoa pode interromper os movimentos a qualquer momento. De acordo com a psicóloga, a focalização de elementos da memória traumática e a estimulação bilateral (visual, auditiva ou tátil) promovem o “diálogo” entre os hemisférios cerebrais e a “metabolização” (reprocessamento) do trauma. “Em pouco tempo, o indivíduo tem a sensação de maior distanciamento da perturbação traumática e espontaneamente começa a reavaliar a experiência a partir de uma perspectiva mais otimista”, revela.
Segundo Vanessa Luparia, é muito comum, após o reprocessamento, a lembrança traumática perder seu poder de ferir e a pessoa ser capaz de resgatar a lembrança de bons momentos. “A partir destas conquistas, o paciente organiza-se melhor, passa a desfazer-se de sentimentos de culpa inadequados, consegue planejar um futuro melhor e se permite desejar coisas boas para si”, completa.
Situações em que o EMDR é indicado:
Ansiedade e depressão
Medos e dificuldade em confiar nas pessoas
Fobias e desordens de pânico
Imagem negativa de si mesmo
Luto patológico
Dependência química e adições
Instalação de recursos positivos
Crises de cólera irracionais
Traumas e estresse pós-traumático, como, por exemplo, resultante de abusos sexuais ou estupros, assaltos, violência, sequela de guerra e de desastres naturais
Fobias e desordens de pânico
Imagem negativa de si mesmo
Luto patológico
Dependência química e adições
Instalação de recursos positivos
Crises de cólera irracionais
Traumas e estresse pós-traumático, como, por exemplo, resultante de abusos sexuais ou estupros, assaltos, violência, sequela de guerra e de desastres naturais
Quem pode aplicar o EMDR
O EMDR Institute (Califórnia, EUA) coordena o treinamento de profissionais em EMDR em todo o mundo. Somente psicólogos e médicos com formação e experiência em psicoterapia podem participar dos treinamentos e obter o credenciamento junto ao Instituto, condição necessária para a prática do EMDR.
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