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Ter, 24 de Junho de 2008 08:40

018-psicologia - Superando traumas e angustiasSuperando traumas e angustias

 

“Depois de enfrentar sérias dificuldades na área jurídica e, em seguida, perder um sobrinho, passei por um estresse pós-traumático que estava me impossibilitando de resolver os problemas do cotidiano”, desabafa o empresário Jorge*, de 50 anos. Ele já havia passado por diversos tratamentos na área da psicologia, porém sem obter resultado. Foi quando decidiu se submeter à técnica de EMDR (sigla em inglês para dessensibilização e reprocessamento), realizada por meio de estímulos bilaterais que são repetidos até que a lembrança seja menos perturbadora e possa ser associada a pensamentos e crenças pessoais mais positivas, melhorando a qualidade de vida. O empresário revela que bastaram cinco sessões para se sentir mais seguro e em paz.

O caso acima é apenas um exemplo do que ocorre com muitas pessoas que vivenciam situações complicadas e passam a ter dificuldades em superar lembranças e emoções. Ou seja, apresentam sintomas típicos de estresse pós-traumático, episódios de repetidas revivencências do trauma sob a forma de memórias intrusas (flashbacks) ou sonhos, algumas vezes ocasionando embotamento emocional e afastamento de pessoas, atividades e situações que possam de alguma forma recordar o episódio negativo. Na maioria das vezes, esse conteúdo problemático limita e empobrece a qualidade dos relacionamentos, interferindo diretamente no bem-estar e na saúde emocional da pessoa.

Eventos traumáticos

“O EMDR é uma técnica especialmente empregada no tratamento de quadros de ansiedade, depressão, fobias e síndrome do pânico, entre outros”, explica a psicóloga com formação em EMDR, Vanessa Augusta Luparia. Desenvolvida nos Estados Unidos, a técnica consiste em desbloquear as memórias e emoções negativas para um reprocessamento das experiências. A terapeuta aplica o EMDR a partir da escolha de um problema específico a ser trabalhado e a sessão tem início quando o paciente apresenta um tema perturbador, que pode ser a lembrança de um evento traumático ou um pensamento negativo. “Ele procura manter em mente uma cena, um sentimento, um som, um pensamento ou crenças negativas relacionadas ao problema, enquanto o terapeuta conduz os movimentos bilaterais”, revela a psicóloga. O cérebro possui recursos para realizar a cura de suas feridas emocionais, da mesma forma que o corpo é capaz de curar suas feridas físicas. Com o auxílio da técnica, a especialista direciona o cérebro para a cura e o processamento acelerado de informações é feito de forma particular. Isto é, cada paciente irá processar suas associações baseado em sua experiência pessoal e seus valores.

Lado positivo

“Durante a minha vida toda, tive problemas emocionais relacionados à minha mãe. Embora sem motivo aparente, me tornei uma pessoa depressiva, irritada, me sentia culpada por tudo de ruim que acontecia à minha volta e vivia chorando”, confessa a dona-de-casa Silvana*, de 44 anos. Ela fez vários tratamentos, tomou medicação, mas nada adiantava. Um esquecimento banal era motivo para ela entrar em desespero. A dona-de-casa procurou a psicóloga Vanessa Luparia e já na primeira sessão se sentiu aliviada. Em um mês de terapia se redescobriu e passou a sofrer menos. “A técnica instiga você a pensar no problema, buscando o lado positivo da experiência, de forma rápida e eficiente”, constata.

A psicóloga alerta que o EMDR não é nenhum tipo de hipnose, indução ou sugestão. “Um princípio fundamental da terapia é que existe uma saúde básica dentro de cada indivíduo e o que a técnica faz é tirar o bloqueio causado pelas imagens, crenças e sensações corporais negativas, permitindo que a saúde intrínseca de cada um venha à tona”, acentua. Somente profissionais - psicólogos ou psiquiatras - que tenham realizado o curso certificado pelo EMDR Institute, dos Estados Unidos, estão habilitados a aplicar a técnica. Além disso, o EDMR exige o conhecimento da história clínica do paciente, diagnóstico apropriado, desenvolvimento de uma relação empática terapeuta/paciente e a preparação do paciente para se submeter à terapia.

Casos em que o EMDR é eficiente
• Transtorno do estresse pós- traumático
• Transtorno de ansiedade
• Ataques de pânico
• Fobias
• Redução do estresse
• Abuso físico, verbal ou sexual
• Memórias perturbadoras
• Luto patológico
• Algumas depressões

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