Nova técnica psicoterapêutica ajuda a superar problemas e a aprender a deixá-los definitivamente no passado
Ansiedade, depressão, obesidade, problemas de relacionamento e falta de auto-estima podem ser algumas das conseqüências de um trauma ou de um problema psicológico que não foi completamente superado. Para que as pessoas possam continuar com suas vidas e deixar esses problemas para trás é preciso que essas questões realmente façam parte do passado.
Se isso não acontece, mesmo que a pessoa não perceba, tais distúrbios podem acabar afetando negativamente a forma como enxergam o mundo, a si mesmas e a maneira como se relacionam com outras pessoas, desencadeando uma série de transtornos. "Isso ocorre porque se acredita que todo esse conteúdo negativo pode ficar bloqueado no sistema nervoso, prejudicando e até impedindo a pessoa de perceber novas maneiras de lidar e enfrentar tais problemas", explica a psicóloga Vanessa Luparia.
Uma técnica desenvolvida nos Estados Unidos e que dá os seus primeiros passos no Brasil pode ajudar nessa superação. É a Dessensibilização e Reprocessamento (EMDR, sigla em inglês), técnica realizada por meio de estímulos bilaterais, geralmente oculares, que possibilita o desbloqueio das memórias e emoções negativas e, conseqüentemente, o reprocessamento dessas experiências.
Vanessa Luparia esclarece um pouco mais sobre o EMDR, citando que, quando um trauma acontece, ele pode deixar uma espécie de "ferida" no cérebro emocional. Com o auxílio da técnica, o próprio cérebro consegue realizar a cura de uma forma muito mais rápida. "Isso é possível porque a técnica age em níveis de mudanças neuroquímicas, desbloqueando o sistema nervoso", explica.
Reprocessamento das informações
Na sessão de EMDR, o terapeuta conduz o paciente a relembrar um fato traumático ou difícil de ser aceito que está dentro de uma rede neurológica. Então, estímulos bilaterais fazem com que o cérebro trabalhe as lembranças, permitindo uma procura em outras redes onde a pessoa pode encontrar o que precisa para compreender o que aconteceu. "Assim, essas duas redes passam a se comunicar, possibilitando o reprocessamento das informações", diz a especialista.
O objetivo do EMDR é fazer com que reste apenas a sensação de que a lembrança está realmente no passado, permitindo prosseguir na vida de uma forma mais leve e confiante. Por mais difícil que seja o tema trabalhado, a partir da primeira sessão é possível fazer com que o paciente saia mais aliviado.
Como a base da técnica é o reprocessamento de uma lembrança ou acontecimento traumático, é importante que exista um foco definido como ponto de partida da terapia. Vanessa Luparia ressalta que, muitas vezes é necessário modificar o foco original, para possibilitar um melhor resultado ao final do tratamento.
"As sessões de EMDR podem ser intercaladas com sessões de psicoterapia, pois, como todas as lembranças no cérebro estão conectadas umas às outras, é comum que, entre as sessões, apareçam insights que ajudam o paciente a reforçar o processo de cura", enfatiza a psicóloga. A psicoterapia ajuda a mapear esses acontecimentos e ampliar a consciência e força necessárias para a superação das questões trabalhadas.
O que o EMDR pode tratar
• Ansiedade e depressão
• Insegurança
• Medos, traumas e fobias
• Síndrome do trauma crônico
• Problemas de relacionamento pessoal
• Baixa auto-estima
• Transtornos do sono
• Dependência química e obesidade
• Transtornos decorrentes de abusos, seqüestro, acidentes, luto
• Crises de cólera irracionais
• Instalação de recursos positivos
• Promoção de melhorias no desempe-nho profissional, artístico e criativo
Entender-se para se fortalecer
O professor de física Pedro* estava com um problema difícil de compartilhar até com as pessoas mais próximas: a síndrome do pânico pré-casamento. Para tentar compreender melhor o que estava passando, buscou ajuda na psicologia. Depois de algumas sessões de EMDR, pôde descobrir que seu trauma era causado por diversos medos e bloqueios. Assim, foi preciso trabalhar cada situação separadamente para poder desbloqueá-las. "Consegui perceber que eu tinha um grande medo de rejeição, de ficar sozinho e, que, com isso estava me anulando, gerando uma crise emocional muito grande", conta. O professor, que ainda está em tratamento, conta que se surpreendeu com os resultados e que se sente mais seguro. "Percebi que já mudei bastante e que esse entendimento me deixou mais fortalecido", comemora.
Já para a administradora Maria Fernanda* as sessões de EMDR, juntamente com a terapia, conseguiram fazer com que ela ficasse menos ansiosa, que superasse alguns traumas da adolescência e que se sentisse mais confiante para enfrentar determinadas situações, principalmente familiares. "Consegui compreender meu lugar dentro da minha família, como filha e como irmã. Antes eu não conseguia me impor, deixando minhas vontades de lado", comenta, satisfeita com os resultados até aqui conquistados.
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