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Dom, 01 de Agosto de 2010
016-Hiperidrose Imprimir
Qui, 26 de Junho de 2008 11:05

016-Hiperidrose - Saiba tudo sobre a cirurgia que pode tratar este problemaSaiba tudo sobre o procedimento que pode tratar, definitivamente, o problema do suor em excesso

Cerca de 1% da população mundial apresenta um distúrbio que pode se transformar em um grande problema: a hiperidrose. Transpirar é uma função biológica, necessária para regular a temperatura do corpo. Entretanto, quando esse suor passa a ser excessivo, pode acarretar em transtornos que prejudicam o dia-a-dia da pessoa.

Em entrevista à Revista Corpore, o cirurgião torácico Paulo Boscardim explica o que é esse distúrbio, suas conseqüências e quais os resultados da técnica cirúrgica que prometem acabar definitivamente com o problema. A equipe do Dr. Paulo Boscardim já realizou mais de 800 cirurgias para hiperidrose.

Revista Corpore: O que é a hiperidrose?

Paulo Boscardim: É a hiperatividade das glândulas sudoríparas, que acabam causando suor em excesso. Fatores genéticos estão relacionados ao desenvolvimento do problema.

RC: Em que locais esse suor excessivo aparece mais?

Boscardim: Mãos, pés, axilas e região crânio-facial são os locais mais comuns.

RC: Qual o tratamento para hiperidrose?

Boscardim: O método mais indicado para o tratamento definitivo da doença é a simpatectomia torácica, cirurgia feita através de vídeo. É um procedimento rápido, seguro, com mínimos efeitos colaterais e indicado para quem sofre com a hiperidrose nas mãos, axilas e região crânio-facial. Essa técnica pode ser indicada para tratar também o odor exalado pelas axilas e o rubor facial (vermelhidão no rosto). Quem sofre com o excesso de transpiração nos pés deve se submeter a uma outra técnica, a simpatectomia lombar.

RC: Quando a cirurgia é indicada?

Boscardim: O critério para indicação da cirurgia é muito subjetivo, devendo ser analisado o grau de incômodo e constrangimento que essa situação causa aos seus portadores.

Em pessoas com hiperidrose secundária causada por outras doenças, como obesidade, menopausa, distúrbios da tireóide ou psiquiátricos, primeiramente deve-se tratar a doença primária e então, se o problema persistir, tratar a hiperidrose.

RC: Como é a cirurgia?

Boscardim: A simpatectomia consiste na secção do nervo que estimula o suor. Por meio de duas incisões de aproximadamente meio centímetro na região axilar é introduzida uma minúscula câmera ótica que transmite a um monitor de vídeo imagens ampliadas, o que facilita o corte preciso desse nervo. O tempo de cirurgia é de aproximadamente 15 minutos para cada lado do corpo.

RC: Como é o pós-operatório?

Boscardim: Os cortes deixam uma cicatriz mínima. Na maioria dos casos, o paciente tem alta no mesmo dia do procedimento. As pessoas voltam a ter a vida completamente normal, sem dor, e o que é melhor, sem suor. Após 15 dias, pode-se voltar a praticar exercícios físicos.

RC: O que é a hiperidrose reflexa? Quando ela pode ocorrer?

Boscardim: A hiperidrose reflexa (compensatória) é o efeito colateral mais comum, ainda que considerado raro, e que faz com que a pessoa passe a suar em outros locais do corpo. Entretanto, com a evolução da técnica cirúrgica já é possível diminuir a incidência desse efeito por meio da melhor avaliação de pacientes e da possibilidade de reversão em alguns casos.

Alguns fatores, principalmente se combinados, podem indicar uma maior probabilidade de algumas pessoas desenvolverem uma compensação grave, como: sexo masculino, IMC (índice de massa corpórea) maior que 26 e quem já sua muito em diferentes partes do corpo.

RC: Qual o resultado conseguido pela cirurgia?

Boscardim: A cura da hiperidrose com a cirurgia se aproxima de 100%. O resultado é bastante satisfatório e imediato: a pessoa já sai do centro cirúrgico suando menos. A melhora na vida social, profissional e afetiva pode ser percebida já nos primeiros dias.

Sonho realizado

A vendedora Cristina Iwasaki, de 37 anos, é um exemplo do bom resultado da técnica. Ela, que fez016-Hiperidrose - Saiba tudo sobre a cirurgia que pode tratar este problema a cirurgia indicada por uma amiga, conta que começou a sofrer as conseqüências da doença aos 15 anos. Desde então, se sentia mal com o problema, ficava envergonhada na hora de cumprimentar as pessoas e só podia usar blusas que disfarçassem o suor.

Cristina, que se submeteu à simpatectomia torácica para acabar com o distúrbio na axila e nas mãos, pôde perceber o resultado logo após a cirurgia, quando sentiu que estava seca. Para ela, a cirurgia foi mais do que a cura de um problema. "Só quem passa por essa situação sabe o que isso causa e como a gente se sente. Posso dizer que foi a realização do meu maior sonho", comemora.

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