Revista Corpore
Qui, 11 de Março de 2010
016-Ecoescleroterapia - Nova técnica ajuda a acabar com as varizes Imprimir
Qui, 26 de Junho de 2008 14:33

Ecoescleroterapia - Nova técnica ajuda a acabar com as varizesCirurgia vascular realiza procedimentos menos invasivos, diminuindo riscos e trazendo novas possibilidades de tratamento

 

Você sente desconforto, cansaço, peso nas pernas, inchaço e dor? Existem veias dilatadas, manchas ou feridas? Pois quem apresenta alguns desses sintomas pode estar sofrendo com varizes ou varicoses. São as conhecidas "aranhas venosas", avermelhadas ou roxas, que estão presentes em 20 a 30% da população.

Além de prejuízo estético, elas trazem grandes prejuízos à saúde se não diagnosticadas e tratadas corretamente.

Até cinco anos atrás, o tratamento dessas veias incômodas era restrito, clínico ou cirúrgico, sem outra opção. No entanto, angiologistas e cirurgiões vasculares estão acompanhando o desenvolvimento e a chegada de novos métodos de diagnóstico e tratamento, tanto para varizes quanto para outras doenças como oclusões arteriais e aneurismas.

Varizes secas sem cirurgia

Para as varizes, fiéis companheiras principalmente de mulheres, pessoas com idade avançada, fumantes, sedentários ou obesos, a inovação vem em forma de espuma. É a escleroterapia de varizes com microespuma guiada por ultra-som, popularmente conhecida como ecoesclerose – "secagem de varizes". A técnica consiste em injetar a espuma nos pequenos vasos e agora também nas varizes de maior calibre, as quais antigamente só poderiam ser tratadas com cirurgia.

Ecoescleroterapia_2.jpgEm Curitiba, o tratamento já é realizado pela equipe de Cirurgia Vascular do Hospital Pilar. Segundo dr. Isidoro Stanischesk, a ecoesclerose veio para dar uma nova opção de tratamento a pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia tradicional. "Esta técnica é menos invasiva, não necessita internação hospitalar nem anestesia e proporciona uma rápida recuperação e retomada imediata das atividades normais do paciente, como andar, dirigir e trabalhar," comenta. Além disso, até os casos mais graves podem ser resolvidos. "A espuma é hoje uma alternativa para a cirurgia", afirma dr. Luiz Carlos de Andrade Costa, cirurgião vascular do Hospital Pilar. "Pacientes idosos com indicação cirúrgica e que não podem sofrer anestesia, por exemplo, podem tratar as varizes com a ecoesclerose," ressalta.

Procedimento seguro

O procedimento para "secar as varizes" é simples e ambulatorial. A espuma é injetada na veia doente, a qual faz uma reação inflamatória que então a "fecha". O dr. Alexandre Gustavo Bley, cirurgião vascular integrante da equipe de Cirurgia Vascular do Pilar, explica que, ao injetar a espuma, acompanha-se pelo ultra-som todo o caminho percorrido por ela, técnica que garante o controle do resultado. "Com isso você tem a segurança de que a espuma atingirá somente as veias necessárias para o tratamento", comenta dr. Bley. No entanto, ele ressalta que esta técnica tem indicação precisa, não sendo utilizada em todos os tipos de varizes, por isso a necessidade de avaliação prévia por um profissional habilitado. Após o procedimento, o paciente deve colocar uma meia elástica e andar na esteira por aproximadamente 30 minutos, a fim de ativar a circulação. "O tratamento é rápido e muito pouco doloroso, como uma escleroterapia convencional, com líquido", confirma dr. Dante Calmon Jr., também médico cirurgião vascular do Hospital Pilar. Como parte do protocolo, o paciente deve retornar para fazer uma ecografia de controle, e se necessário programar algum retoque.

Qualidade de vida

A microespuma é indicada em casos de varizes de grande calibre, casos mais avançados, eczemas, fibroses, úlceras abertas e também pode ser aplicada em varizes menores e em pacientes de mais idade.

Dr. Dante Calmon salienta que cada caso deve ser avaliado individualmente. "Para a realização do diagnóstico e tratamento, fazemos uma avaliação clínica cuidadosa, geral, e depois uma avaliação dirigida às varizes, com ecografia vascular para mapeamento," explica.

O principal fator predisponente para as varizes é o componente genético. Dr. Stanischesk explica que elas não voltam, mas recanalizam. "É possível que surjam outras. A vantagem é que a espuma possibilita ser reaplicada na mesma veia, sem prejuízo algum", complementa.

Satisfeito com os resultados, dr. Fabiano Erzinger, integrante da equipe do Hospital Pilar, afirma que a cirurgia vascular está caminhando para oferecer ao paciente tratamentos para problemas que não tinham solução ou eram de difícil execução. "Atualmente, com o desenvolvimento tecnológico e o aperfeiçoamento médico, os procedimentos acarretam menos cortes, menos dor e menor tempo para o paciente voltar às suas atividades laborais. É a busca pela melhoria da qualidade no atendimento, no resultado e, conseqüentemente, da vida".

Menos invasão, maior benefício

Cada vez menos risco, cada vez menos invasão. Essa é a tendência da medicina e da cirurgia vascular. Nas últimas décadas, devido às grandes inovações tecnológicas, tem-se proporcionado tratamentos e cirurgias híbridas, ou seja, convencional ou endovascular, com pequenas incisões e resultados muito mais efetivos.

Um exemplo disso é o aparelho denominado "Arco em C", disponibilizado no Centro Cirúrgico do Hospital Pilar. O Arco em C é um aparelho de radiografia no qual é possível realizar exames e também procedimentos terapêuticos no território vascular, tanto nas artérias quanto nas veias, através da visualização da circulação por meio do raio-X. Dr. Luiz Carlos de Andrade Costa compara o Arco em C com o aparelho de raio-X. "O Arco faz às vezes da radiografia, mas com a vantagem de proporcionar a subtração das imagens, ou seja, extrair veias, próteses e ossos da imagem, limpando o campo de visão. Tudo isso em tempo real, com imagem digital (melhor definição), dentro de um centro cirúrgico, dando-nos muitas outras possibilidades e vantagens, tanto para um diagnóstico mais claro quanto para o tratamento da maioria das doenças vasculares, tais como os aneurismas, placas de aterosclerose, tromboses arteriais e venosas, más-formações, etc.".

Em uma cirurgia para tratamento do aneurisma da aorta abdominal, por exemplo, o aparelho proporciona a visualização total da aorta, e a inserção de uma endoprotese, através de pequenas incisões na virilha. "Hoje em dia, com este método não é mais necessário realizar anestesia geral e abrir o abdome do paciente para cortar a aorta e colocar a prótese. Atualmente, ela pode ser inserida como se fosse um cateterismo, com o mínimo de invasão e corte, além de se ter uma precisão muito maior, podendo ser realizado tal tratamento para pacientes considerados de alto risco cirúrgico. "O procedimento é uma cirurgia limpa, muitas vezes realizado com anestesia local ou loco regional, num ambiente adequado, dentro do centro cirúrgico" , ressalta Dr. Dante Calmon.

Dr. Bley afirma que realizar um procedimento como este num ambiente cirúrgico agrega ao paciente mais segurança. "O centro cirúrgico é um ambiente propício e específico para procedimentos médicos, possui todos os materiais necessários para qualquer emergência. Ou seja, a ciência está disponibilizando hoje pouca invasão e um benefício muito maior", garante.

O Arco em C pode ser utilizado de forma multidisciplinar, tanto pela equipe de Cirurgia Vascular como de Cirurgia Geral, Ortopedia, Urologia, entre outras.

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