Programa incentiva a inclusão social
A surdez é uma deficiência que afeta a personalidade, o relacionamento e todo o estilo de vida de uma pessoa. Por isso, muitas vezes, adultos e crianças acabam sendo excluídos de diversas formas da vida social e produtiva por apresentarem problemas auditivos. Com o objetivo de propor uma melhor qualidade de vida à pessoa surda e sua família, o Hospital Iguaçu está investindo no aprimoramento e especialização do atendimento ao deficiente auditivo. “Para que tenhamos condição de acompanhar esses pacientes, montamos o Centro de Diagnóstico Auditivo Hospital Iguaçu (CDAHI), equipado com aparelhos de última geração e com uma equipe composta por fonoaudiólogas, médicos, psicólogos e pedagogos especialistas em perdas auditivas”, informa a psicóloga Lesle Maciel, coordenadora do projeto. Segundo ela, o Centro está apto a avaliar e acompanhar desde a perda leve de audição até a surdez profunda e todos os tipos de patologia que geram uma seqüela auditiva.
O paciente, ao agendar uma consulta, passa a fazer parte de um programa de acompanhamento de sua perda auditiva ao longo de sua vida. Trata-se de um trabalho interdisciplinar que promove a inclusão social dessas pessoas, considerando também a importância da prevenção. Com efeito, o diagnóstico precoce de surdez pode diminuir as conseqüências e experiências frustrantes que a pessoa com problemas para ouvir pode vivenciar, como por exemplo, sentir-se isolado e solitário.
O projeto é uma iniciativa inovadora que nasceu com o primeiro implante coclear, realizado em 2006, no Hospital Iguaçu, pioneiro neste tipo de implante no Paraná. O procedimento proporciona ao surdo a possibilidade de ouvir e de se comunicar melhor por meio de um aparelho implantado cirurgicamente atrás da orelha e na cóclea (ouvido interno). O Centro de Diagnóstico Auditivo (CDAHI) oferece a infra-estrutura necessária para qualquer tipo de diagnóstico, atendendo inclusive empresas e escolas, por meio de parcerias, para avaliação no hospital. Para empresas, o objetivo é avaliar ruídos que possam afetar a saúde e a produtividade dos funcionários. Para escolas, avalia a perda auditiva de alunos que não estejam apresentando o rendimento esperado. Em todos os casos, o serviço proporciona uma forma diferenciada de atendimento.
Importância do diagnóstico
Existem duas categorias de perda auditiva: a condutiva, que envolve anomalias na transmissão do som nos ouvidos médio e externo, e a neurossensorial, envolvendo o ouvido interno. Geralmente, a perda condutiva pode ser corrigida com medicamentos ou cirurgia. “Já a neurossensorial é mais difícil de tratar, pois indica uma alteração do ouvido interno”, explicam os especialistas. A surdez, ou total ausência de audição, pode resultar tanto da perda condutiva como da neurossensorial, ou ainda de ambas. No Centro de Diagnóstico Auditivo (CDAHI), são realizados todos os tipos de avaliações e tratamentos para perdas leves e profundas da audição, tendo como proposta um programa onde o paciente é inserido num acompanhamento constante, seja semestral ou anual. Inclui também um programa de prevenção, consulta, diagnóstico, encaminhamento e acompanhamento dos resultados, além da manutenção do aparelho auditivo. Nesse caso, todos os resultados da adaptação são avaliados constantemente, verificando-se a necessidade ou não de terapias e mudanças no aparelho indicado.
Além disso, no caso de pacientes com indicação de implante coclear, são feitos testes de adaptação com a prótese auditiva convencional, pois somente aqueles não adaptados ou com pouco ganho são candidatos à cirurgia. O Centro de Diagnóstico Auditivo (CDAHI) mantém parcerias com vários fornecedores de aparelhos auditivos, facilitando para o paciente a opção pelo equipamento mais adequado ao seu caso e levando em consideração preço e facilidades de pagamento.
Acompanhamento multidisciplinar
Uma deficiência auditiva, logo depois de diagnosticada, requer uma intervenção imediata, bem como o uso de dispositivos eletrônicos, pois se não tratada trará conseqüências graves aos aspectos de fala, emocional, social, acadêmico, entre outros. Quanto mais cedo o paciente iniciar com as fonoaudiólogas o programa de (re)habilitação, mais chances terá de sucesso.
Trata-se de um trabalho sistêmico, ativo, que enfatiza a estimulação das habilidades auditivas, fala e linguagem. A psicóloga está presente em todas as situações do processo de avaliação e acompanhamento do paciente. Seu objetivo é orientar, dar suporte e proporcionar condições para a elaboração das etapas que ele viverá a partir do diagnóstico da perda auditiva. Para cada tipo de diagnóstico existe um tipo de avaliação e acompanhamento.
No caso de pacientes infantis, quando em idade escolar, é feito também o acompanhamento psicopedagógico e psicomotor, uma vez que, após a indicação do aparelho ou durante a fase de avaliação para diagnóstico, é necessária uma avaliação cognitiva e de maturidade psicomotora, para posterior acompanhamento e orientação. Na maioria dos casos é necessária a terapia psicopedagógica. “O trabalho desenvolvido no Centro de Diagnóstico Auditivo (CDAHI) é multidisciplinar e todos os profissionais envolvidos se reúnem semanalmente para discussão dos casos avaliados, além de organizarem curso de capacitação nas áreas médica, fonoaudiológica e pedagógica, e também um simpósio anual abordando o tema surdez, para o qual são convidados os melhores profissionais destas áreas para divulgarem seus trabalhos. Além disso, a equipe está constantemente se atualizando com o que existe de melhor aqui no Brasil e no exterior”, relata a psicóloga.
Apoio e socialização
Com a finalidade de promover a troca de experiências, o Hospital Iguaçu disponibiliza um espaço para o encontro de pais e pacientes. Assim, eles podem conversar sobre as diversas fases pelas quais passaram e estão passando, expressar sentimentos, dúvidas e ansiedades. É também um espaço de aprendizagem dos aspectos relacionados à deficiência auditiva, visando uma melhor qualidade de vida ao paciente e seus familiares,
Todo o trabalho desenvolvido pelo Centro tem a preocupação de mostrar para o deficiente auditivo e sua família que eles podem ter uma vida social completa. Para esse fim, realiza todos os exames de diagnóstico, oferece vários modelos de prótese auditiva, BAHA e implante coclear. Tudo isso por meio de parcerias com fornecedores e especialistas da área médica. “Do recém-nascido ao idoso, o projeto tem por alvo a socialização, contando com a colaboração de uma equipe coesa, com perfis e potenciais diferenciados, que se somam para formar um time de sucesso”, completa Lesle Maciel.
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